A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. (Friedrich Nietzsche)

AS mentiras que os homens contam

Sinopse: Veríssimo fez do seu livro, “As mentiras que os homens contam”, sem querer, um tratado da mentira no cotidiano de todos nós. Reúnehistórias, algumas inéditas. O leitor vai topar consigo mesmo em alguma mentira contada no livro, com toda certeza. Afinal de contas, o que fazer quando você se para com um estranho que lhe pergunta: E aí, cara, não se lembra de mim? Aí você que ser simpático, “claro”... E ele insiste, “mas, de onde, mesmo?”. Quem não teve de inventar uma tremenda dor para a sua mãe, para não ter de ir á aula, já que não fez o tema do dia? O que dizer para a esposa que flagra o marido numa loja de lingerie, sendo que ele nunca lhe deu uma peça sequer, há anos de casados? Segundo o autor as mentiras que os homens contam já começam na infância. E a primeira vítima é invariavelmente a própria mãe. Depois vêm as namoradas, a esposa, a sogra, a amante, os amigos, o chefe. Torna-se uma incrível compulsividade masculina. Em uma pesquisa de mercado. -“O senhor tem amante? - Foi minha mulher que o mandou? - Onde é que está o microfone? É chantagem, é? - Não, cavalheiro. Nós... - Está bem, está bem... Tem uma moça que eu vejo , mas nem se pode chamar de amante. Pelo amor de Deus! É só meia hora de três em três dias. E ela é bem baixinha“. O autor quase faz crer que mitirinhas que os homens contam provam a teoria de que os fins justificam os meios. Livram a cara. E isto é tudo. Até parece que todas as mentiras são apenas pecadinhos não mais do que veniais. Pois, mente-se até por amor ou para preserva-lo. Tornam-se em histórias claramente mal contadas, em que historiador e ouvinte se convencem de que, embora algo não esteja muito certo, vamos e venhamos... dá para tolerar na boa. E já que não faz tanto mal, o que tem demais uma mentirinha qualquer? E que seria de nós se contássemos e ouvíssemos a verdade sempre e nada mais que a verdade? O os fins são múltiplos: evitar constrangimento, se livrar de broncas, necessidade de ser gentil, apenas levar a vida na gozação. Fazem parte integrante do dia-a-dia. Mentiras no texto são defendidas a todo o custo, ainda que isto cause muitas e muitas lágrimas... de tanto rir.... Veríssimo apresenta com grande perceptividade e ironia criativa, todos as dicas, os macetes, as desculpas mais esfarrapadas que a sociedade utiliza. É uma crítica arguta da visão machista do marido brasileiro típico. No fundo, será que a mulher não curte a mentira dos seus maridos para a sua (dela) única conveniência? É leitura divertida, agradável do início ao fim, totalmente livre de moralismos ou estereótipos.

Edirora: Objetiva,
Lançamento: 2002.

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